Os Deuses Primevos: Do Caos à Luz e ao Caos Retorna!


Os deuses primevos, Caos, Géia, Tártaro e Eros.

“Dizei-me isto, Musas que tendes o palácio olímpio,
dês o começo e quem dentre eles primeiro nasceu”
(Teogonia – Hesíodo)

O Tártaro, a habitação profunda, aparece junto com Géia (terra) e Eros, o amor (a força do desejo), nascidos depois do Caos, a energia fundamental de onde tudo veio e para onde um dia retornará. É assim que surge o universo, a Terra, em especial na Teogonia, de Hesiodo, Caos ainda cria as forças da noite (Nix) e da escuridão profunda (Érebo), Por sua vez Nix gera o Éter (o Ar) e Hemera (o Dia), ao mesmo tempo, de Géia, nasceu Urano, as Montes e Pontos (o Mar).

A cosmogonia de Hesíodo tudo em que tudo se faz nascer vindo das trevas à luz, pois primeiro veio o Caos, o vazio profundo, informe, rudimentar, mas que tudo gera. Dele tudo surge, a natureza ctônica, nascida e vida da Terra, vai dar ordem ao nada. Em dois planos um no espaço outro no solo, vão se multiplicando, conforme o tempo e a necessidade da explicação dos fenômenos e dos que se desconhece (conhece) para ter um sentido lógico à vida na terra e a relação com a natureza e o universo.

De Géia e Urano, em união, gerou uma imensa prole,  primeiro nascera os Titãs: Oceano, Ceos, Crio, Hiperíon, Jápeto, Crono (o caçula, de curvo pensar). Depois as  Titânidas: Téia, Réia, Mnemósina, Febe, Tétis. O desejo ardente de Urano ainda fez Géia parir: os Ciclopes e os Hecatonquiros (Monstros de cem braços e de cinquenta cabeças).

Não aguentando mais a violência de Urano, Géia, pede ao mais poderoso filho, Crono, que mate o Pai. Este mutila a Urano, cortando-lhe o pênis e os testículos. Do sangue que jorra de Urano e que caiu sobre Géia nasceram, “no decurso dos anos“, as forças descomunais, tendo à frente as Erínias, que castigam os humanos em seus crimes de sangue: Tisífone (Castigo), Megera (Rancor) e Alecto (Inominável) . Ainda nasceram, os Gigantes e as Ninfas dos Freixos, chamadas Melíades;

Por fim, da parte que caiu no mar em ejaculação, e formou uma espumarada e desta nasceu Afrodite, o amor-do-pênis, a Citereia, nascida no Chipre, simbolicamente, veio para separar os sexos, dando o sentindo ao Amor, não mais aquele do primeiro Deus, Eros, mas prazer carnal dos deuses e dos homens.

Da sombria Nix (Noite), ainda sozinha, deu à luz uma geração que assombrará os homens e os outros deuses, em todas as linhagens e por todos os tempos. Seus filhos, paridos de si mesma, entre outros: Moro (Destino), Tânatos (Morte), Hipno (Sono), Momo (Sarcasmo), Hespérides, Moiras, Queres, Nêmesis, Gueras (Velhice), Éris (Discórdia).

Todas as coisas da terra e do céu, todas as cores, todas luzes e sombras foram nominadas pelos gregos, assim como receberam sentido e nomes na Índia, com seus milhares de deuses, no Egito, ou entre os Maias. Nomes e significados mesmo entre o romanos, que dos gregos quase tudo seguiram, como também, depois outras religiões, monoteístas, em sincretismo, acomodaram os deuses menores, como padroeiros, santos e protetores locais, pois não se apaga do inconsciente aquilo que ele criou e tão belo fantasiou para dar sentido ao mundo e a vida.

Evoé.

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