Os 80 anos do meu Pai.


Nossas autoridades maiores, meu Pai, que já partiu e nossa mãe, muito amor numa foto.

Meu querido e amado pai, Pedro Rocha, se fosse vivo (além de viver em nós), hoje completaria 80 anos, há quase seis anos, entre piadas e galhofas, numa internação que seria aparentemente simples, que foi se complicando, num procedimento para entubar, o seu coração que batia lento, parou e nos deixou, entre saudades e risos.

Tudo o que escrever pode parecer repetido, e deve ser, mas por mais que escreva sobre meu pai, será pequeno diante de uma figura tão interessante, contraditória, agregador, amigo, companheiro leal e pronto a servir, ajudar, naquilo que ele tinha e mesmo que não tivesse, dava um jeito para ajudar alguém, indistintamente.

Os filhos lhe seguem em muitas características, alguns mais, outros menos, mas nenhum de nós o supera em bondade e presteza, menos ainda naquilo que ele era um mestre: Contador de causos (cheios de parênteses, detalhes e memória) e no humor fino, cortante (um craque). O velho era um sedutor nato, envolvente e de grande carisma.

O meu velho foi um bom pai, rígido, sem ser autoritário, com regras claras e muito diretas. Entretanto, foi um enorme, gigante, avô e bisavô, ele se superou em tudo. Seu Pedro acolhia os netos, tinha paciência de ouvi-los, desde muito cedo, e os ensinava os conceitos (dele e do legado de gerações dos Rochas) sobre a vida, valores e costumes, era extremamente paciente.

As férias e/ou feriados, na Santa Maria, a velha fazenda secular eram concorridas. Todos os dias inventava alguma coisas para os netos, preparava cavalo, ensinava a montar e controlar os animais, os menores ele puxava com a corda até soltar, depois dos 11, 12 anos, punha-os para dirigir, aprender os barulhos dos carros, dos freios, pneus, temperatura, formou as meninas e os meninos, para desespero dos filhos.

A relação forte dele e de nossa mãe com nossos filhos era emocionante, choravam com saudades deles ao irem embora da fazenda.

A vida dura que ele teve, foi grandemente compensada por esses últimos 25 anos com seus netos, até um dia que ele partiu, sorrindo, fazendo troça, como deveria ser, e foi.

Nosso velho faz muita falta, primeiro para nossa mãe, que o tem com uma adoração de partir o coração, tem-lhe no tempo presente, o amor que permanece para muito além desses 6 anos. Aos filhos, a saudade de tudo, das ligações às 5, 6 da manhã, ou a noite para contar uma história, um fato da vida, rir de nós ou dos outros.

Os netos mais velhos, que hoje já são pais, tiveram o privilégio de ouvir suas histórias, as pausas dramáticas, a respiração e a cadência, um artista, algumas desses causos foram gravados, ouço e choro, como se o visse contar, mesmo sabendo palavra a palavra, sempre parece novidade.

Onde estiver, sua benção, meu pai. Feliz 80 anos. Te amo e com saudades.

 

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