Vito Gianotti e Nossa Gente Humilde.

O adeus ao camarada Vito Gianotti.
O adeus ao camarada Vito Gianotti.
“Tem certos dias em que eu penso em minha gente
E sinto assim todo o meu peito se apertar
Porque parece que acontece de repente
Como um desejo de eu viver sem me notar”
Passei os últimos dias pensando nos versos de Gente Humilde, a linda poesia de Vinicius de Moraes (com pequena participação de Chico Buarque) para composição de Garoto. Uma tristeza provocada pela perda de um companheiro que era referência na comunicação popular, na busca por uma linguagem que compreendesse e falasse diretamente a essa gente simples, sem se preocupar com os aparelhos, as forças políticas determinantes do movimento.

Este final de semana soube que faleceu um grande cara, Vito Gianotti, que tive o prazer de conhecer e admirar, mesmo que não tenha gozado de sua intimidade, sua presença foi marcante para mim, mesmo depois de quase vinte anos sem encontrá-lo, sua figura permaneceu viva na minha memória. Acompanhava à distância sua rica trajetória, por amigos comuns sabia que ele se mudara para o Rio de Janeiro, mas continuava sendo o mesmo de sempre.

Vito, o italiano, era denunciado pelo sotaque carregado e pelos gestos largos; do falar alto e forte ao carinho demonstrado com todos que o cercava. No começo dos anos de 1990, recém-chegado a São Paulo, participei discretamente do MOMSP (Movimento de Oposição Metalúrgico de SP), que era um dos carros-chefes da combativa CUT Regional SP, ali era o território do Vito, dos jornais, da panfletagem, da agitação e propaganda.

Henrique Acker, jornalista carioca, meu companheiro de CGB, ou qualquer sigla que participamos, veio para São Paulo e foi trabalhar como jornalista na CUT Regional SP. Nós dois éramos de um grupo minúsculo, mas sempre fomos tratados com extremo respeito e lealdade, em especial por Vito, algo estranho para nós, pois era uma época de tanta virulência política no seio da esquerda, em que ninguém perderia a oportunidade de esmagar o outro.

Igual a como quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem vindo de trem de algum lugar
E aí me dá como uma inveja dessa gente
Que vai em frente sem nem ter com quem contar

Este exemplo me marcou profundamente, principalmente por vir de longe, num ambiente hostil, vi tanta camaradagem de um cara que nem era de nosso grupo. Atitude digna, solidária, tão em falta naquela época e mais ainda hoje em dia. O velho militante que se vai, mas que nos deixa um rico legado, uma lembrança de quão importante foi sua luta, a nossa luta.

Como escreveu Acker, no seu blog, sobre Vito (Vito Gianotti, um iluminado): “Talvez o sonho de uma rede de comunicação que dispute com a mídia patronal no Brasil ainda esteja longe. Mas não se pode dizer que ele não tentou. Foi um incansável batalhador pelas causas populares”.

São casas simples com cadeiras na calçada
E na fachada escrito em cima que é um lar
Pela varanda, flores tristes e baldias
Como a alegria que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza no meu peito
Feito um despeito de eu não ter como lutar
E eu que não creio peço a Deus por minha gente
Que é gente humilde, que vontade de chorar
Vito Giannotti, Presente!

Baden Powell – Gente Humilde

Imagem de Amostra do You Tube

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