Cotidiano Pandêmico

A dureza do cotidiano (Foto: reprodução Facebook/Universo Curioso)

“Todo dia eu só penso em poder parar
Meio-dia eu só penso em dizer não
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão”
(Cotidiano – Chico Buarque)

Por muitos anos, publicava a música da sexta, que era um dia especial, anunciava os dias de descanso do fim de seman, em geral, além da aura especial que envolve o dia em si, agora sem o mesmo brilho e vontade, as restrições da pandemia, o isolamento, vão transformando os dias como se fossem sempre o mesmo, algo parecido como o dia da marmota, aquele belo filme com Bill Murray e Andie Macdowell.

A rotina repetitiva é algo que estressa mais do que qualquer outra coisa nesses tempos rudes e desesperadores. A impossibilidade de variar o dia a dia, mesmo com uso de toda a criatividade possível, vai minando suas forças e cansando mentalmente cada um de nós. Óbvio que a música do Chico, Cotidiano, vem imediatamente à mente, é bem essa a realidade vivida e não vivida.

Tenta-se de tudo, mas parece que hoje é igual a ontem, ou ao domingo anterior, mesmo que hoje seja sexta e sábado seja sábado, não há como diferenciar.

Quando você vai mudando os canais de filmes, dos vários aplicativos, Netflix, HBO, Telecine, Prime Vídeo, não tem mais nada que preste, filmes e séries, consumidos lá atrás, na ilusão de que a pandemia duraria uns 40 dias, no máximo três meses, a coisa continuou, bate o desespero, tudo visto, alguns revistos. E se essa pandemia não acabar, e não vai, o que sobrará?

A leitura num ambiente de entradas e saídas, aulas onlines, trabalhos, tarefas, sem nenhuma paz se torna torturante, a mesma página volta três vezes para nossos olhos, e parece filme repetido, fica difícil obter prazer e entrar com mais profundidade no que se lê, é uma coisa inquietante. As leituras mais secundárias que não exigem concentração acabam sendo uma saída.

Ouvir músicas, nesses aplicativos que suprimem propagandas, também é um caminho para se abstrair da realidade, somos empurrados para esses aplicativos pagos pela quantidade irritante de anúncios nas plataformas gratuitas, não satisfeitas com a audiência, vendem seus espaços, poluindo o ambiente e torna insuportável. Descobri muitas coisas, velhas e novas, que tem ajudado a segurar a onda.

E as famigeradas lives? A pior das invenções desse tempo pandêmico, que troço CHATO, acima de 30 minutos, começa a dar desespero, é um horror. É a coisa que não deixará nenhuma saudade.

É sexta, poderia ser terça, ou sábado, não faz diferença mais.

 

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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