“Esmerdalhar”: A Pedagógica Comunicação de Bolsonaro

Bolsonaro inaugurando obra alheia: A comunicação como arma ideológica.

Era difícil  até para ele de se superar, mas Bolsonaro conseguiu:

‘Chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até quando?’ (Bolsonaro, Jair – 04/03/2021)

Desde o início da Pandemia, Bolsonaro, vem produzindo uma coleção de frases absolutamente desrespeitosas com o país enlutado, desde piadas infames à pronunciamentos que demonstram sua falta de empatia com a humanidade, que servem para alimentar uma horda selvagem que lhe dá apoio, mesmo nas questões mais absurdas.

Revisitar os piores momentos desse um ano de Pandemia é uma forma de fixar na memória todos esses momentos cruéis, quase sempre acompanhado de claques e risos de seus aspones e ministros.

É trágico.

“Pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria acometido, quando muito, de uma gripezinha ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico, daquela conhecida televisão”

Essa frase foi uma espécie inauguração e definição de visão (cega) que guiará Bolsonaro, desde março de 2020, em nenhum instante houve uma inflexão para mudar o rumo, nem precisaria se desculpar, apenas acertar o passo e reconhecer a gravidade da doença, nada fez ou fará.

Ao ser perguntado sobre os primeiros 5 mil mortos, a resposta foi aterradora: “Não sou coveiro”. Ainda bem, pois se fosse coveiro talvez se negasse abrir novas covas, deixaria os mortos apodrecendo a céu aberto.

Passo seguinte, uma formulação filosófica acerca  da morte (fatalidade) e sobre os números de mortos que cresciam e não preocupavam o alienista Bolsonaro: “Essa é uma realidade, o vírus tá aí. Vamos ter que enfrentá-lo, mas enfrentar como homem, porra. Não como um moleque. Vamos enfrentar o vírus com a realidade. É a vida. Tomos nós iremos morrer um dia.”

As mortes e as famílias tratadas como mero acidente da vida em que a morte é evento certo.

As mortes cresciam em progressão aritmética e os esforços dos prefeitos e dos governadores eram desancados pelo Presidente, que os culpava pela crise, via exageros e que ele não era responsável por nada: ”lembro à Nação que, por decisão do STF, as ações de combate à pandemia (fechamento do comércio e quarentena, p.ex.) ficaram sob total responsabilidade dos Governadores e dos Prefeitos”.

As primeiras vacinas começavam a ser testadas, inclusive no Brasil, o que fizeram Bolsonaro, seus filhos e ministros? Passaram a atacar a China, justamente o maior fornecedor de insumos do mundo, que desenvolveu uma vacina em parceria com o Instituto Butantã, o fanfarrão-presidente cancela um acordo com a China e diz:

“Da China nós não compraremos. É decisão minha. Eu não acredito que ela transmita segurança suficiente para a população pela sua origem. Esse é o pensamento nosso

O “castigo” veio à cavalo.

Toda sorte de humilhação tem que passar e pedido posterior de desculpas para desdizer as bobagens faladas e tentar comprar os insumos e vacinas da China, a irresponsabilidade custa milhares de vida e grande atraso na VACINAÇÃO.

A toada insana segue, segundo o presidente a culpa da Pandemia e seu enfretamento é do povo, que é covarde, que não a enfrenta, um país des “maricas”, in verbis: “Não adianta fugir disso, fugir da realidade. Tem que deixar de ser um país de maricas. (…). Temos que enfrentar de peito aberto, lutar. Que geração é essa nossa?

Os desatinos não são feitos por frases, mas por ações concretas que levaram o Brasil ao caos em que se encontra, o Presidente é o maior responsável por tudo que está acontecendo.

No fundo essas frase jocosas, homofóbicas, cheias de preconceitos e nenhum apreço pela vida, servem de comunicação com sua massa ignara de apoio, as frases produzem manchetes, escondem a INCOMPETÊNCIA generalizada de um governo abutre.

Voltando : ‘Chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até quando?’ Por mais que doa, Bolsonaro está certo, vivemos do mimimi, não há oposição e as instituições estão submetidas a ele, ninguém faz nada para dar fim a esse desgoverno funesto, morreremos feito gado, contamos os números e Bolsonaro, livremente, pode desdenhar de todos os brasileiros, entre risos e galhofas:

‘Vão ficar chorando até quando?’

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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