Miudezas

Miudezas, pequenas ideias desconexas que se juntam, ou não.

“…que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós”. (Manoel de Barros , Memórias Inventadas: A Segunda Infância.)

Sempre tive um sonho de escrever, mas não apenas escrever, mas sim escrever bem. Ainda nem arriscava um blog, alimentava estava fantasia, nunca faltava uma ideia. Quer fosse por vaidade ou apenas por amor estético ao português, pois por mais eu tente, essa será minha língua, porém confesso a vergonha de saber tão pouco sobre ela, nem ter mais qualquer ânimo de voltar à escola para aprender mais.

Impulsionado pelo desejo de transcrever meus velhos apontamentos de livros lidos, com as folhas ficando velhas e sujas, criei coragem e me arrisquei nesse campo virtual. Do que parecia ser um nada, algumas anotações quase perdidas no tempo, isso aqui virou algo incontrolável, passou a ser um vício, uma vontade de fazer mais e mais.

Venci o medo e a vaidade de parecer tolo, mas não a barreira da língua, que tanto maltratei e ainda maltrato, o que dói é ter consciência disso. Entretanto segui em frente, por alguns anos essa prática efetivamente salvou não apenas a minha vida, mas a minha própria sanidade, dado os eventos e pancadas da vida, pelas quais passo e enfrento. Aqui foi meu refúgio e minha verdadeira fuga.

De certa forma, atropelando a língua fui me impondo e penso que contribuí com alguns importantes debates, com algumas ideias e apontando caminhos. Sei que também trouxe livros, artigos para que fossem lidos e amados, como eu os amei, acender o desejo de ler e sair do lugar-comum que a maioria de nós vive (sobrevive). Pode faltar graça, nunca vontade no que escrevo.

Aquela velha esperança sobre a estética da escrita não carrego mais. Os meus limites são esses, não há o que fazer, por preguiça, cansaço ou mesmo incapacidade intelectual, nada mais completo ou complexo sairá daqui. O que é, será isso que tenho a mostrar, não posso brigar comigo mesmo, ou melhor parar e não voltar mais, o que tantas vezes pensei que deveria ter feito.

Fiquemos assim, nada mais espero de mim, encontrei o meu caminho, tortuoso, mal arrumado, o que reflete demais a minha vida e o modo de ser, por que seria diferente?

É isso, um pequeno desabafo.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: